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COVID-19, mundo, Òrìṣà e nossa máxima culpa!

Atualizado: 16 de fev.


Eu vim falar um pouco sobre o que está acontecendo obviamente, mas numa visão um pouco mais espiritual. Para ver se as pessoas conseguem resolver o problema dentro de casa. E esta casa é você!


Eu acho que está acontecendo uma coisa que a gente já havia dito sobre a enorme necessidade de transformação interna e do próprio culto de Òrìṣà.

Assim também como o culto em outras doutrinas religiosas, onde as questões financeiras infelizmente sempre são levadas em primeiro plano, o pagamento das obrigações, o que vai fazer com aquele dinheiro, a mensalidade paga àquele terreiro, o dízimo dado àquela igreja, tanto faz.


Em nossa doutrina, Èṣù Òrìṣà é organizador, reorganizador; os princípios dele são: ordem, organização, disciplina e paciência! O oríkì (invocação) de Èṣù diz: “Èṣù que senta no pé dos outros pra impedir seu movimento!”

Senhor do comércio, dos caminhos, a criação do Deus Supremo pra ser inspetor de todos os rituais, inspetor do ser humano; Èṣù que é inimigo do mau caráter, preguiça e fraqueza.

O que está acontecendo no mundo é uma ação reorganizadora deste Òrìṣà. Que fecha os comércios, te bota em casa pra natureza se limpar. E aí, na nossa doutrina é o que eu sempre falei e outros que também falam: a questão das oferendas poluentes. Em rios, oceanos, enfim, na mata, na natureza em si.


Hoje a natureza nem se levantou pra se limpar, ela só deu uma respirada e nos colocou o pânico de algo invisível, mostrou que nenhum dinheiro no mundo está sendo suficiente pra combater da noite pro dia a incompetência humana ou o vírus, no qual hoje é esse, amanhã talvez seja outro.


Não tem cabimento a nossa doutrina religiosa e assim como outras ficarem ainda promovendo cultos se preocupando com vida financeira.

Quando na verdade ela serve pra reorganizar seu caráter e seus atos.


Eu disse ironicamente: vamos lá, vamos lá agora de fato sujar mais ainda os oceanos, pro mar tirar a gente de lá e você nem poder ir pra paria. Vamos lá...! E assim aconteceu. Vamos vender a alma pro diabo a troco de 10 pãezinhos e um leite longa vida, passando por cima de outras pessoas e não dando do que comer as que estão na rua, pra Èṣù tirar você da rua, pra Ògún tirar você da rua. E assim aconteceu. Suje mais um pouquinho o caminho, jogue bituca de cigarro, papel, jogue tudo, pra entupir tudo na primeira chuva que o Òrìṣà mandar, ou se manifestar. E os ciclones assim vieram com a tempestade. Ninguém ouve.


A natureza nem se levantou pra se limpar, porque quando ela se levanta, a gente está falando de tsunami, terremoto, de vulcões em erupção. O que já acontece, claro, mas alerto de algo bem maior. Se a natureza resolver se levantar e se limpar de fato: eu, você, não existiremos mais aqui.


Vou usar uma máxima da igreja católica: “Mea culpa, mea máxima culpa”.

Não deu tempo de eu me preparar e preparar os demais para os não poluentes. E olha que já tem anos que eu falo e pratico ao máximo a não poluição tanto física da natureza quanto no orí (cabeça).

O sacerdote de candomblé, umbanda, seja lá o que for, ele mais se preocupa com o Bọrí ẹbọ, oferenda a cabeça, com a canjica e a coisa toda, do que com informação boa na cabeça do filho de santo. Meu filho sabe que o melhor Bọrí que eu dou são os berros para eles virarem seres humanos coerentes, de bom caráter. Não que não sejam. Porem regar o orí com bons conselhos todos os dias é necessário.


A principal função do sacerdote é instruir seu filho de santo, devotos, não devotos, a se reorganizarem como pessoa. A principal função é ofertar conhecimento, compartilhar e também aprender com a pessoa, com os erros dela e com os próprios. Levar aquela própria aula que se dá, pra vida. É difícil, mas é a função.

Porque ebó é fácil fazer, com conhecimento então se tona mais fácil ainda, mas o melhor ẹbọ é o ọfọ̀, encantamento com a boca e o berro que você dá ao filho de santo pra ele parar de ser mesquinho, pra ele parar de pensar só em dinheiro. É você ensinar, desculpe a expressão, seu filho de santo a rir na merda e fazer dela adubo. Porque rir com dinheiro no bolso é fácil, mas vocês só se preocupam com dinheiro, dinheiro... Que é importante, é. Porém não paga pelos erros da incompetência de todo povo do asé e demais doutrinas religiosas.


E parte da minha incompetência também. Por talvez saber que eu deveria ter gravado mais vídeos falando pra terem coerência , por exemplo... falando que Yemọja, mãe dos filhos peixes, segundo a tradução do nome, não está gostando de pentes goela abaixo nos seus peixes, que Osun também não está, que Ọ̀sányin detesta matança dentro da coisa toda. Se mata por qualquer coisa. Não é nossa cultura! Remodelem-se.


Existem 256 odù, dentro deles milhões de caminhos para um culto. Um culto esse que fazia sacrifícios humanos e depois de animais. Agora recrimina quem opta em fazer com apenas folhas, mas que preservam os ritos e elementos mágicos? Onde o menos é mais?


Parem de recriminar a evolução. Já nasci dentro dela. Nasci no culto de Òrìṣà sem sacrifício animal e meus filhos também. Não nos faltam oportunidades de vencer dada pelo Deus Supremo e trazida pelo Òrìṣà em nossa vida.

Falta ensinar muita coisa pro(a) filho/filha de santo. Ele/Ela coloca a pérola no Igbá Òrìṣà e não sabe pra quê. Acha que é riqueza, ele/ela não tem a filosofia desse ser sagrado que produz a pérola... não tem o conhecimento que é pra simplesmente qualquer “grão de areia” que entrar dentro de seu coração e doer muito, assim como dói na ostra, ele/ela fazer disso, com aquele pus, uma pérola, uma lição de vida. Ter força, magicamente e filosoficamente aquilo ir pra sua vida e pra dentro de seus atos para com consiga obter sucesso. Como Ọ̀ṣun, senhora das águas, que pede verdade para com os outros como a transparência das águas. Ọ̀ṣun, senhora das águas que tem que ser límpida, transparente porque se não for, não é potável.


O ser humano está tendo o que merece! Então esse momento de resguardo obrigatório, que eu estou cumprindo desde Março de 2020 com meus companheiros, sem ao menos pisar na calçada, nos sirva de verdadeiro recolhimento. Aquele que fazemos ao iniciarmos no culto de Òrìṣà. Eles me avisaram que eu ficaria um ano preso dentro do Ilé Àṣẹ em uma consulta que fiz em 2018/2019. Só não pensei que fosse por conta disso tudo.

Não apenas por causa de um vírus, mas sim pela falta de bom caráter ou falha dele que todo ser humano tem. Isso tem que nos servir pra alguma coisa boa. Porque não ache você que a natureza vai dar a segunda chance.


Não ache que na volta às aulas, com os comércios abertos, no cotidiano, a vida cotidiana, quando voltar ao normal, será a mesma coisa que antes.


A natureza abriu os olhos e confiou no ser humano e em quem cultua o Òrìṣà também. E a desonramos. Bem feito pra nós!

E aqui meu pedido de desculpa, em nome de meus filhos de santo e até de outras casas, por termos falhado com a própria. Porque o verdadeiro culto do Òrìṣà é preservar a natureza começando inclusive com orí (cabeça), o principal Òrìṣà e o mais importante que o ser humano tem.


Arrumem a cabeça, arrumem o ọkàn (coração), arrumem suas casas, remodelem-se!

Revejam seus conceitos ou esperem Ṣàngó, Yemọja, Ọ̀ṣun, Ọbàtálá, Ọya, Ògún, Ọ̀sányin e todos os demais, incluindo Èṣù, se levantarem e eliminarem o ser humano do planeta a mando do Criador, pra fazer o planeta ficar limpo novamente e lindo como nunca visto antes. Se isso ocorrer, não duvide, talvez alguém lá em cima nem deixe a gente vir de novo e habitar o Àiyé (terra) que foi feita lindamente para nós, porem a estragamos.


Àṣẹ oò

Òrìṣà gbè wa oò

Ire oò


O dábọ̀ àti mo dúpẹ́ ẹ!

(Até logo e agradeço!)

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