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Cultuando Ọ̀ṣun em sua essência. Parte 1

Atualizado: 5 de set. de 2020


Os Òrìṣàs são energias da natureza criados pelo Deus Supremo. A força que existe nas águas "doces", sua beleza, transparência, a nascente em si é Ọ̀ṣun. O omo Òrìṣà de Ọ̀ṣun (filho(a) de Ọ̀ṣun) deve ser responsável com a água, para que não haja desperdício (isso claro, é uma obrigação de todo ser humano), deve bebe-la em grande quantidade, pois precisa sempre estar renovado e com o corpo limpo, isso devido a pegarem muita carga por onde passam, principalmente cargas emocionais.

Tudo é um drama sob seus olhos. Os filhos de Ọ̀ṣun, assim como seus devotos que possuem igba Ọ̀ṣun, aprendem com as águas e aplicam esses ensinamentos na vida. Ọ̀ṣun esconde seu ouro no fundo do rio. Isso ensina seus filhos a guardarem não apenas suas riquezas materiais, mas seus dons, pra que pessoas más intencionadas não usufruam e roubem.


O curso do rio é o mais lindo ensinamento de Ọ̀ṣun pra seus filhos, você nasce, amadurece, anda pra frente, nunca para trás, penetra onde quiser com força e determinação, move pedras e as despedaça e das dificuldades obtém mais riqueza. Ou seja, é com problemas dos outros que os filhos de Ọ̀ṣun se sustentam, pois com o poder que ela dá, e que eles herdam, resolverão qualquer tipo de situação na vida de quem precisa.


A melancolia e a preguiça muitas vezes tomam o filho de Ọ̀ṣun, a lentidão também, nessa hora é preciso cuidado, pois assim como no rio, águas mansas podem estar apenas em sua superfície a olho nu e abaixo pode estar havendo um grande redemoinho. Neste caso a analogia é o filho ficar depressivo e achar que era apenas preguiça. Por essa razão deve tomar cuidado com a rotina e ver se ele não ficou parado sem produzir. Filhos de Ọ̀ṣun precisam estar sempre produzindo, melhorando, mudando, fertilizando algo, correndo pra frente como um rio.


Em muitas ocasiões esbravejam como a queda das águas de cima das pedreiras nas mais bravas cachoeiras. Nesta analogia aprendemos que seu temperamento é instável e que vivem com as emoções a flor da pele.


A sutileza de Ọ̀ṣun é sua artimanha, mas também sua joia que não entregam fácil e pra qualquer pessoa. A sensação de entrarmos numa água gelada é a mesma quando você está diante de um filho de Ọ̀ṣun. Ele pode ser lindo, amável, transparente ou mostrar seu reflexo, ou seja, ser aquilo que você não é de forma ao contrária, ele é seu espelho, sua imagem invertida, mas ainda assim pode ser frio, gelado e espaçoso.

Estar na presença de um filho de Ọ̀ṣun é ficar nu sem ao menos perceber que ele tirou suas roupas, na verdade ele não se suja, pois suas águas potáveis são fontes da vida, então eles farão a própria pessoa se despir sem perceber. Deixando-as vulneráveis e adormecidas, como quem fica muito tempo em águas geladas. É com essa anestesia que seus filhos tratam as pessoas pra que elas se purifiquem.


Toda analogia com rios, águas, riquezas são valiosas pra entender como ser de Ọ̀ṣun. E o que isso resultará? Bom, no mínimo você será parte de Ọ̀ṣun e ela de você, sendo assim tudo o que ela possui, você herda, pois ela é generosa ao extremo.


Todo ser humano já possuí Ọ̀ṣun dentro de si, ela é a água que compõe grande parte de seu corpo. Cultuá-la é agradecer ao Criador por isso e fazer essa água ser reciclada não somente em seu aspecto físico, como também espiritual.

Sabendo desses segredos e estudos da personalidade dessa incrível Orisà, devemos entender que em toda doutrina, para que o mito (Jesus, Buda, Òrìṣàs, etc) se aproxime de nós e nos dê parte de seu àṣẹ (força e energia), precisamos imitá-lo.

Um bom exemplo disso é na eucaristia da igreja católica, onde o Padre irá reviver a santa sagrada comunhão (banquete) que Jesus fez com seus apóstolos e nos convidará a fazer o mesmo. O sacerdote cristão então, profetiza as mesmas palavras do Mestre Jesus e ao final compartilha seu cálice de sangue e seu corpo: pão e vinho. Neste momento onde o sacerdote levanta sob nossa cabeça o corpo e o sangue do Filho de Deus, ele diz: "Eis o cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo", os fiéis respondem: "Senhor eu não sou digno que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo. Meu Senhor e meu Deus".

Neste momento é uma invocação que acontece, onde Cristo vem aos devotos e entram em transe com ele, de maneira que ao tomarem seu corpo (hóstia sagrada), entram em sua presença e oram.


Em todas as doutrinas a repetição do que o mito ensinou e fazia é a forma de se obter essa energia para si e de atraí-lo. Sendo assim, como atrair Ọ̀ṣun e ter seu àṣẹ?


O que o mito Ọ̀ṣun, um ser encantado, fazia e ensinava na qual devemos replicar para chamar sua atenção e receber suas bençãos?

Isso compartilharei na próxima aula.


O dábọ̀ àti mo dúpẹ́ ẹ!

(Até logo e agradeço!)


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