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Cultuando Ọ̀ṣun em sua essência. Parte 1

Atualizado: 16 de fev.


Os àwọn Òrìṣà são energias da natureza criados pelo Deus Supremo. A força que existe nas águas "doces", sua beleza, transparência, a nascente em si é Ọ̀ṣun. O/A ọmọ Òrìṣà de Ọ̀ṣun (filho/a de Ọ̀ṣun) deve ser responsável com a água para que não haja desperdício (isso claro, é uma obrigação de todo ser humano), deve bebe-la em grande quantidade, pois precisa sempre estar renovado e com o corpo limpo, isso devido a pegarem muita carga por onde passam, principalmente cargas emocionais.

Tudo é um drama sob seus olhos. Filhos/Filhas de Ọ̀ṣun, assim como seus devotos/as que possuem igbá Ọ̀ṣun, aprendem com as águas e aplicam esses ensinamentos na vida. Ọ̀ṣun esconde seu ouro no fundo do rio. Isso ensina seus/suas filhos/filhas a guardarem não apenas suas riquezas materiais, mas seus dons, pra que pessoas más intencionadas não usufruam e roubem.


O curso do rio é o mais lindo ensinamento de Ọ̀ṣun, você nasce, amadurece, anda pra frente, nunca para trás, penetra onde quiser com força e determinação, move pedras e as despedaça. Além de fazer das dificuldades, oportunidades de obter mais riqueza. Ou seja, é com problemas dos outros que os(as) filhos(as) de Ọ̀ṣun se sustentam, pois com o poder que ela dá, e que eles/elas herdam, resolverão qualquer tipo de situação na vida de quem precisa.


A melancolia e a preguiça muitas vezes tomam o/a filho/a de Ọ̀ṣun, a lentidão também, nessa hora é preciso cuidado, pois assim como no rio, águas mansas podem estar apenas em sua superfície a olho nú e abaixo pode estar havendo um grande redemoinho. Neste caso, a analogia é o/a filho/a ficar depressivo/a e achar que era apenas preguiça. Por essa razão, deve tomar cuidado com a rotina e ver se ele/ela não ficou parado/a sem produzir. Filhos e filhas de Ọ̀ṣun precisam estar sempre produzindo, melhorando, mudando, fertilizando algo, correndo pra frente como um rio.


Em muitas ocasiões esbravejam como a queda das águas de cima das pedreiras nas mais bravas cachoeiras. Nesta analogia aprendemos que seu temperamento é instável e que vivem com as emoções a flor-da-pele.


A sutileza de Ọ̀ṣun é sua artimanha, mas também sua joia que não entregam fácil e pra qualquer pessoa. A sensação de entrarmos numa água gelada é a mesma quando você está diante de um/a filho/a de Ọ̀ṣun. Ele/Ela pode ser lindo(a), amável, transparente ou mostrar seu reflexo, ou seja, ser aquilo que você não é de forma ao contrária, ele(a) é seu espelho, sua imagem invertida, mas ainda assim pode ser frio(a), gelado(a) e espaçoso(a).

Estar na presença de uma pessoa de Ọ̀ṣun é ficar nú sem ao menos perceber que ele/a tirou suas roupas, na verdade ele/a não se suja, pois suas águas potáveis são fontes da vida, então eles/elas farão a própria pessoa se despir sem perceber. Deixando-as vulneráveis e adormecidas, como quem fica muito tempo em águas geladas. É com essa anestesia que seus/suas filhos/filhas tratam as pessoas, pra que as mesmas se purifiquem.


Toda analogia com rios, águas, riquezas são valiosas pra entender como é ser de Ọ̀ṣun. E o que isso resultará? Bom, no mínimo você será parte de Ọ̀ṣun e ela de voc. Sendo assim, tudo o que ela possui você herda, pois ela é generosa ao extremo.


Todo ser humano já possuí Ọ̀ṣun dentro de si. Ela é a água que compõe grande parte do corpo. Cultuá-la é agradecer ao Criador por isso e fazer essa água ser reciclada, não somente em seu aspecto físico, mas também de forma espiritual.

Sabendo desses segredos e estudos da personalidade dessa incrível Òrìṣà, devemos entender que em toda doutrina, para que o mito (Jesus, Buda, Òrìṣà, etc) se aproxime de nós e nos dê parte de seu àṣẹ (força e energia), precisamos imitá-lo.

Um bom exemplo disso é na eucaristia da igreja católica, onde o Padre irá reviver a santa sagrada comunhão (banquete) que Jesus fez com seus apóstolos e nos convidará a fazer o mesmo. O sacerdote cristão então, profetiza as mesmas palavras do Mestre Jesus e ao final compartilha seu cálice de sangue e seu corpo: pão e vinho. Neste momento onde o sacerdote levanta sob nossa cabeça o corpo e o sangue do Filho de Deus, ele diz: "Eis o cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo", os fiéis respondem: "Senhor eu não sou digno que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo. Meu Senhor e meu Deus".

Neste momento é uma invocação que acontece, onde Cristo vem aos devotos e entram em transe com ele, de maneira que ao tomarem seu corpo (hóstia sagrada), entram em sua presença e oram.


Em todas as doutrinas a repetição do que o mito ensinou e fazia é a forma de se obter essa energia para si e de atraí-lo. Sendo assim, como atrair Ọ̀ṣun e ter seu àṣẹ?


O que o mito Ọ̀ṣun, um ser encantado, fazia e ensinava, que devemos replicar para chamar sua atenção e receber suas bençãos?

Isso compartilharei na próxima aula.


O dábọ̀ àti mo dúpẹ́ ẹ!

(Até logo e agradeço!)


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